Memória Cultural

SUBSÍDIOS BIOGRÁFICOS DE MIGUEL MONICO

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Paulista de ITOBI , município localizado entre Mococa, Casa Branca e São José do Rio Pardo – na região de CAMPINAS, MIGUEL MONICO nasceu aos 02 de julho de 1902, filho de Antonio Monaco e Paschoa Sartorati, ambos imigrantes italianos. No mesmo ano de seu nascimento, seu pai faleceu, tendo sua mãe alguns anos após, se casado com Charles Andrè Giaferi, (enólogo francês), sendo considerado como pai por Miguel Monico.
Concluiu o Curso Primário, na cidade de Mococa-SP, e já aos 12-13 anos de idade mostrava seus pendores artísticos voltados para a musicalidade, aprendendo, sozinho, a tocar clarinete e flauta transversal. Mercê de seus talentos, aos 14 anos de idade, era disputado pelos maestros das Bandas de Música das cidades de Casa Branca e São José do Rio Pardo.
Sempre acompanhando seu padrasto nas lides laborais não pôde dar seqüência aos seus estudos, mas revelava por outro lado, também pendores para a marcenaria, serralheria e ferraria, o que ensejou já ainda jovem sua contratação pelo Dr. Labieno da Costa Machado, proprietário da Fazenda da Vila Costina, para dirigir a serraria da própria Fazenda, situada no Município de Itobi, onde também era responsável pelos consertos mecânicos do maquinário em geral.
Com a mudança de seus pais (Paschoa e Charles Giaferi) para a cidade de Bauru-SP, onde fixaram residência, Miguel Monico foi procurado pelo Sr. Odilon Ferraz ,gerente do Escritório do Dr. Labieno da Costa Machado, que já o conhecia da Região Mogiana, e recebeu a missão de montar e colocar em funcionamento uma Serraria na Fazenda Ribeirão da Garça, isto em 1921, quando aqui chegou sozinho, no dia 3 de outubro às 11 horas da noite, vindo de Presidente Alves de onde saíra às 5 horas da madrugada.
Miguel Monico tinha ocupação estável na cidade de Bauru, porém veio para a Fazenda Ribeirão da Garça movido pelo natural desejo de todo jovem às coisas novas. Sem querer, fez história, pois a ele coube derrubar as primeiras árvores do núcleo urbano dos primórdios da cidade de Garça. Emprestou sua colaboração e inteira dedicação a todos os empreendimentos ao nascente povoado. Miguel Monico serrou a madeira necessária para a construção de todo casario, inclusive da sede da Fazenda – prédio onde hoje abriga a sede do S.O.S. e da Igreja Nossa Senhora da Vitória. Em 1927, contraiu matrimônio com Adelina Manchini – filha de Mathias Manchini e Ida Anseloni Manchini – que coincidentemente também trabalharam na Fazenda da Vila Costina. Desse matrimônio nasceram 9 filhos, todos garcenses.
Conhecendo os primórdios da cinematografia na cidade de São Paulo, Miguel Monico teve a idéia de construir um cinema na então pequena Garça; trabalhando dia e noite e auxiliado por seu cunhado Ângelo Manchini, construiu e montou o 1º cinema de Garça em apenas 45 dias. Inaugurado no dia 7 de abril de 1929. A energia elétrica, ainda inexistente na localidade, foi suprida por uma engenhoca montada com uso de uma camioneta Ramona/24 sobre cavaletes acionando um pequeno dínamo de corrente contínua. Foi a 1ª luz elétrica a iluminar os arredores do cinema – (o 1º cinema de madeira, com capacidade para 200 pessoas ficava exatamente onde hoje se encontra o Edifício Astúrias, na Rua Sgto Wilson).- Neste recinto Miguel Monico não se contentava em apenas exibir filmes cinematográficos – inúmeros artistas e companhias de teatro se apresentaram ali. O cinema era mudo, mas nos dias de funções, era abrilhantado pela musicalidade da Família Souza, com destaque para as apresentações de Esmerinha de Souza ao piano, cantando e acompanhada pelos irmãos. Era emocionante e os garcenses vibravam. Datam daí as primeiras manifestações artísticas e culturais da cidade de Garça.
O “Cinema Garça” era um sucesso. Miguel Monico então vislumbrando o futuro partiu para outra arrojada empreitada. Trabalhando dia e noite ergueu o majestoso “Cine Theatro Garça”, (com capacidade para 600 expectadores e que, ainda no correr da década de 30, foi transformado em cinema sonoro) – construído pelos saudosos construtores Alfredo Casarsa e Remo Casarsa inaugurado em 22 de dezembro de 1932 – local onde hoje funciona a Caixa Econômica Federal-Rua Barão do Rio Branco, esquina com Heitor Penteado. Pelas suas ribaltas e seu palco passaram centenas de artistas, tais como: “Cia. de Espetáculos Conde Richimond”; “Troupe Carrara”; “Grupo Cornélio Pires”; “Cia de Teatro João Rios”; “Cia de Teatro Miramar” – esta acompanhada por uma orquestra de 30 figuras; “Show com Orquestra Tropical”; “Show Radio Nacional do Rio de Janeiro”; “Show de Vicente Celestino”, e tantos e tantos outros artistas e companhias teatrais de sucesso. Garça, nessa época era fulgurante em relação às apresentações teatrais que aqui eram levadas à efeito no Cine Theatro Garça – centenas de expectadores de outras localidades, tais como Marília, Bauru, Gália, Duartina, Vera Cruz, Lins, Cafelândia, Pirajuí, Ourinhos, etc, aqui aportavam para se divertirem.
Prosseguindo em sua saga, Miguel Monico vislumbrou e materializou a construção do Cine São Miguel – Praça Pedro de Toledo, com capacidade de 2.000 lugares, posteriormente reduzida para 1.600 lugares para se adaptar à tecnologia necessária aos filmes em “Cinemascope”. Inaugurado em janeiro de 1952. Nesta sala também foi erigido um dos maiores palcos teatrais do Brasil. Dotado de todos os requisitos técnicos, inclusive com uma altura de mais de 16 metros, propiciando a oportunidade da colocação técnica de toda sorte de cenários, com mudanças rápidas de uma cena para outra. Para quem entende das artes da ribalta, é um luxo só!
Inúmeras companhias ali se apresentaram. Artistas brasileiros e estrangeiros foram ali delirantemente aplaudidos pelos garcenses e pelos “habituès” das cidades circunvizinhas.
De se ressaltar, com ênfase, que nas três citadas casas cine-teatrais construídas e mantidas por décadas pela figura de Miguel Monico, em primeiro lugar era bem servir os expectadores – não havia somente a expectativa do lucro, mas acima de tudo a colaboração para com a comunidade. Essas três citadas casas serviram também para reuniões cívicas, festas de formaturas, sessões cinematográficas gratuitas e também inúmeras outras destinadas à filantropia para com as entidades de Garça, inclusive para campanhas do Hospital do Câncer, de São Paulo.
Ainda por oportuno lembrar um fato histórico marcante:- quando da Revolução Constitucionalista de 1932, foi no então Cinema Garça que os “pracinhas” que aqui aportavam para receberem seus fardamentos, coturnos, alimentos e instruções para partirem para o front, ali aguardavam o momento de partida junto à composição ferroviária que estacionava sobre os trilhos então existentes onde hoje está localizada a Praça Tancredo Neves, precisamente onde foi a antiga Sotebra.

Eis um singelo resumo da história do saudoso Miguel Monico – falecido em 20 de janeiro de 1981…
… a cinematografia tal como era concebida nessa época romântica também faleceu…felizes aqueles que puderam vivenciar esses momentos e tiveram a oportunidade de conviver com o SER HUMANO que foi MIGUEL MONICO – lídimo pioneiro da cidade de Garça!!

 

 


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